Participantes do Seminário repudiam a implantação de incineradores
16/06/2010 - 19h22

Inicialmente previsto para ser realizado no Auditório Prestes Maia da Câmara Municipal, o Seminário “Reciclagem: Metodologias Sustentáveis para os Resíduos Sólidos e a Inclusão Social”, ocorrido no dia 28 de maio, teve de ser transferido para o Salão Nobre da Casa em virtude do grande número de participantes – cerca de 350 pessoas compareceram para participar e debater esse tema de tão grande importância para a Cidade e o meio ambiente. A tônica do encontro foram as manifestações unânimes em favor da reciclagem e contra a implantação de incineradores que a gestão Kassab insiste em promover em São Paulo.           

Entre os palestrantes estavam especialistas, gestores e representantes de movimentos sociais e de organizações da sociedade civil. Embora convidado, o prefeito Gilberto Kassab não compareceu e não enviou nenhum representante da administração municipal. Ainda no ano passado, Kassab esteve presente em seminário na Câmara em prol dos incineradores. A prática da incineração de resíduos sólidos foi completamente rechaçada pelos debatedores presentes no evento que, de acordo com eles gera prejuízos ambientais, concorre com a reciclagem, inibe a geração de empregos dela advindos e desestimula as formas de combate à pobreza.                                                                                                             

A opção pela incineração em detrimento da reciclagem contribui para reforçar o quadro de perda econômica para o País além de configurar um enorme equívoco social. De acordo com estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Brasil deixa de gerar cerca de R$ 8 bilhões de reais por ano por não adotar uma política mais eficiente de reciclagem que, com a inclusão de catadores, geraria milhares de empregos. 

O vereador Ítalo Cardoso ressaltou o descaso no tratamento aos  trabalhadores da reciclagem na cidade de São Paulo e a falta de interesse na implantação de cooperativas de reciclagem. Durante o governo da ex-prefeita Marta Suplicy estavam previstos no orçamento recursos para a implantação, com cláusulas incluídas nos contratos das empresas de coleta lixo e nada foi feito.

A geógrafa Jutta Gutberlet, do Projeto de Coleta Seletiva Brasil-Canadá, salientou que é fundamental a implementação de uma política de resíduos sólidos mais justa e sustentável, valorizando o trabalho dos catadores. "O grande benefício que a coleta seletiva solidária traz é gerar emprego. Pensar em incinerador é um passo errado e um retrocesso”.

Sonia Maria Manso Vieira, consultora técnica, explicou o desenvolvimento de tanques de alta tecnologia para otimizar reações. "É possível tratar uma mesma quantidade de resíduos sólidos num volume menor que o aterro. Fecho o tanque, recupero o gás metano e não se causa o efeito estufa".
O especialista Dan Moche Schneider, consultor de resíduos sólidos do Ministério do Meio Ambiente, lembrou que o Brasil tem uma Política de Resíduos a ser aprovada no Senado e que recentemente foi aprovada a Política de Saneamento. “As políticas apontam um modelo de tratamento do lixo que não passa pela incineração mas sim por coleta seletiva."

Ao término do encontro, Sílvia Gonçalves, da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, avaliou que o encontro foi um sucesso, sobretudo pela participação da população e associações de catadores.
Fernando Luciano do Amaral, físico e mestre em Tecnologia Ambiental falou da importância de passar conceitos técnicos e de perceber a dignidade, a raça e a importância dos catadores na preservação do meio ambiente.

"No que diz respeito aos incineradores, estamos nos sentindo violados do direito de termos trabalho, que advém da reciclagem. O incinerador acaba com isso", disse Luzia Maria Honorato, do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis.

O Seminário foi organizado pelo mandato do vereador Ítalo Cardoso e contou com o apoio dos vereadores Chico Macena e Juliana Cardoso, do deputado estadual Adriano Diogo e das entidades: Observatório Ambiental, Fórum Lixo e Cidadania da Cidade de São Paulo, Projeto de Coleta Seletiva Brasil-Canadá, Movimento Nossa São Paulo, Instituto Pólis, Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, Repisa-Rede de Pesquisa e Interação Socioambiental, Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis e Movimento Nacional da População de Rua.